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Anestesia

Popularmente chamada de anestesia, a Anestesiologia é uma especialidade médica que reúne ciência, arte e conhecimento e que consiste em evitar a dor de um paciente que será submetido a uma intervenção cirúrgica. Ela é fundamentada em técnica especializada, destreza manual, profissionalismo e profundo respeito pelo ser humano que é cada paciente.

Anestesia é o estado de total ausência de dor durante uma operação, um exame diagnóstico, um curativo. Ela pode ser geral, isto é, para o corpo todo; ou parcial, também chamada de regional, quando apenas uma região do corpo éanestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você ficará dormindo; já numa anestesia regional você poderá ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência do caso. Em ambas as situações, o anestesiologista ou anestesista vigiará as funções de seus órgãos vitais, durante o tempo que se fizer necessário, e providenciará para que seu organismo reaja com segurança a um exame ou a uma cirurgia.

O anestesiologista é um médico formado por Faculdades de Medicina reconhecidas e credenciadas pelo Ministério da Educação. Ele é treinado em cursos específicos, com muitas horas de aulas teóricas e práticas. A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) mantém mais de 80 Centros de Ensino e Treinamento em Anestesiologia, em diversos Estados do Brasil, para o ensino de pós-graduação em Anestesiologia. Para a SBA, a especialização em Anestesiologia tem duração de três anos de treinamento em serviço, com dedicação exclusiva, realizada após o curso de graduação em Medicina.

Embora o anestesiologista seja conhecido pelo seu trabalho durante a cirurgia, sua atuação se estende para fora das salas de operações. Atua em consultório, no tratamento das síndromes dolorosas de diversas causas (tais como musculares e de câncer) e na realização da consulta pré-operatória.

Atua, ainda, nos hospitais e diversos centros de saúde no tratamento de dor aguda, no desenvolvimento de técnicas de reanimação cárdio-respiratória, e realiza anestesia em centros de imagem e diagnóstico, para tomografias, ressonâncias, endoscopias, etc.

Em alguns hospitais do Brasil, o anestesiologista atua também nos centros de tratamento intensivo. Para exercer todas estas funções, é necessário que o médico seja treinado especificamente para este fim. Assim, para sua segurança, os anestesiologistas credenciados pela SBA estão relacionados em sua página www.sba.com.br. Consulte!

Lembre-se que você tem o direito de escolher o seu médico anestesiologista. Normalmente, porém, os hospitais possuem Serviços de Anestesia com os quais o seu cirurgião já está acostumado a trabalhar. Afinal, operação é trabalho em equipe. Além de médico especializado, o anestesiologista é seu amigo. Ele está capacitado a ouvi-lo e a esclarecer suas dúvidas em tudo que você precisar e quiser saber.

Converse com ele abertamente. Fale de suas dúvidas, peça orientação e siga seus conselhos.

Existem diversos tipos de anestésicos gerais e locais.

Os locais são depositados perto dos nervos, enquanto que os anestésicos gerais são administrados pela veia ou através da respiração. Todos proporcionam anestesias adequadas. A escolha do anestésico varia com o tempo e o tipo de operação e com as suas condições físicas e emocionais, como paciente. Depois de conhecê-lo, avaliar seus exames pré-operatórios, saber a cirurgia proposta, o anestesiologista indicará a melhor opção. Você poderá ser submetido a:

RAQUI

  • Anestesia Local: uso de anestésico local aplicado somente no local da cirurgia.
  • Anestesia Regional: uso de anestésico local em área de abrangência maior em relação à região do corpo ondeserá realizada a cirurgia (ex.: raquianestesia ou peridural para cirurgia de varizes).
  • Anestesia Geral: o paciente fica inconsciente. Pode ser aplicada por via intramuscular, endovenosa ou inalatória(através da respiração, o anestésico é inalado e entra no organismo pelos pulmões).

O anestesiologista faz parte de uma equipe que concentra as informações médicas a respeito do paciente. É importante que o paciente e sua família conheçam o anestesiologista com antecedência. Há, ainda, a possibilidade de que o médico anestesiologista tenha seu consultório próprio. De qualquer maneira, conte sua história ao anestesiologista: seus hábitos, questões médicas de saúde, medicamentos que você toma ou tomou, reações alérgicas a medicamentos e

experiências anteriores com o uso de anestésicos. Não deixe de perguntar quais são os exames de laboratório necessários, horário de internação e jejum. Habitualmente é necessário um jejum de pelo menos 8 horas, antes de uma anestesia para permitir um completo esvaziamento do estômago.

Lembre-se: a água está incluída no jejum. Não deixe de pedir esclarecimento e orientação sobre o tipo de anestesia a que você será submetido. Isso lhe dará mais segurança e tranqüilidade. Informe ao médico anestesiologista se você tem, ou já teve, doenças como asma, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio.

Raros são os medicamentos que precisam, temporariamente, ser suspensos, antes da cirurgia. Quem decide isso é o médico anestesiologista!

Se o paciente usa alguma droga ilegal, como cocaína, crack, maconha, faz uso de estimulantes ou anabolizantes, ou ainda é portador de doença infecto-contagiosa, não deve deixar de falar com o anestesiologista sobre isso. Como médico, ele tem obrigação legal de guardar segredo profissional, não só sobre esse assunto, como sobre qualquer outro. Quanto mais informação você der, melhor! Com todas as informações a seu respeito, juntos, o anestesiologista e o cirurgião terão melhores condições de realizar seus trabalhos com sucesso.

Porque muitas vezes as informações que possuem não foram tão esclarecedoras quanto aquelas que são divulgadas, por exemplo, acerca de viagens aéreas. Tal como os vôos que são realizados aos milhares e sem acidentes, também diariamente milhares de anestesias são aplicadas em todo o mundo, com toda a segurança. Por comparação, pode-se afirmar que, tal como os perigos das viagens áreas, os riscos da anestesia são bastante reduzidos. Ainda, comparando, sabemos que se os meios de divulgação ampliam os eventos relativos a um acidente aéreo, do mesmo modo, publicam com alguma ênfase os casos em que ocorrem acidentes anestésicos. Assim se explica porque muitas pessoas têm medo de viajar de avião. E porque outras receiam submeter-se a uma anestesia. É por isso que você deve exigir que somente anestesiologista qualificado faça a sua anestesia.

O anestesiologista é o guardião de sua vida durante a operação ou o exame sob anestesia. Confie nele e na equipe que vai cuidar de você. Lembre-se de que milhares de pessoas confiam suas vidas aos pilotos e comandantes de aeronaves em viagens aéreas por todo o mundo, e da mesma maneira outras tantas milhares confiam nas equipes cirúrgicas que cuidam delas nas Salas de Operações. A sua confiança é a melhor recompensa para o Anestesiologista.

Conheça o seu anestesiologista!

Os pacientes, na maioria, chegam ao hospital no dia da cirurgia, quando então fazem contato com o anestesiologista. Se a operação foi marcada com antecedência, o anestesiologista já deve ter os resultados dos exames necessários, pedidos por ele mesmo ou pelo cirurgião.

Mesmo assim, antes da cirurgia, o anestesiologista fará uma avaliação geral do estado de saúde física e emocional do paciente.

É comum que ele repita perguntas já feitas pelo cirurgião.

Primeiramente, o anestesiologista o examinará, prestará informações e o orientará sobre a anestesia. Alguns exames de laboratório e radiológicos poderão ser necessários. Os preparativos da Enfermagem, a pedido dos médicos, podem incluir raspagem dos pelos do lugar da operação, algum remédio e muita atenção. Na noite anterior e cerca de uma hora antes da operação, dependendo do dia e horário de sua internação, é provável que você receba algum comprimido ou uma injeção de sedativo, para tornar mais confortável para você o transporte e a chegada à Sala de Operações.

Respeite o período de jejum que lhe foi determinado. Nem água. É para ficar em jejum mesmo. Conte, ao anestesiologista, os nomes de todos os remédios que você toma ou tomou regularmente. Em especial enumere aqueles a que você tem ALERGIA. Serão removidas de sua boca quaisquer peças dentárias móveis como dentaduras, pontes, especialmente as de menor tamanho. Não use cosméticos ou produtos de beleza no dia da operação: deixe-os em casa. Não leve ao hospital, e muito menos para a sala de operações, jóias, como anéis, pulseiras, relógios de pulso, brincos, como também retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços e outros objetos desnecessários. Não mastigue goma de mascar antes da cirurgia, porque isto provoca aumento de ar e de sucos no estômago, o que pode causar vômito depois da operação. Quanto ao cigarro, é bom largar pelo menos 60 dias antes da operação. Mas se você não consegue, reduza o máximo possível. Siga as orientações dos seus médicos.

anestesia

Na anestesia local ou regional, o paciente pode ficar acordado ou não. Em cirurgias rápidas, em pacientes calmos, não há necessidade de inconsciência. Em cirurgias mais longas ou em pacientes mais nervosos, é comum a utilização de sedação, ou seja, o paciente poderá dormir durante a cirurgia, mesmo sem anestesia geral.

O anestesiologista controla todas as funções vitais do paciente tais como:

  1. nível de consciência;
  2. pressão arterial, freqüência cardíaca, volume sanguíneo circulante, níveis de oxigênio e gás carbônicono sangue;
  3. volume respiratório, freqüência respiratória, concentração de oxigênio nos pulmões;
  4. volume urinário;
  5. atividade muscular.

Também é função do anestesiologista diagnosticar e monitorar, constantemente, a situação do paciente durante a

cirurgia e contribuir para que o cirurgião se ocupe, exclusivamente, em realizar a cirurgia.

Não se deve esquecer que a segurança do paciente está condicionada à permanente vigilância. Por isso, o médico anestesiologista não sai da sala durante uma cirurgia. O anestesiologista é o responsável pela técnica da anestesia e, portanto, tem de controlá-la, utilizando-se dos diferentes tipos de monitores e instrumentos que permitem constante avaliação clínica do paciente.

São muito raros, atualmente, os acidentes ou complicações de uma anestesia. Com medicamentos, instrumental e técnicas modernas, o anestesiologista reduz ao máximo os riscos de acidentes anestésicos, mas é claro que eles nunca chegam a zero, já que há fatores de risco algumas vezes imponderáveis ligados não só à anestesia, como à própria operação, às condições hospitalares, às condições do paciente, etc. De qualquer maneira, o anestesiologista, além do conhecimento e da especialização médica, emprega toda a sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo da operação a que você está se submetendo. Para a maior segurança dos pacientes, os hospitais modernos contam com equipes e equipamentos próprios para emergências e cuidados críticos, o que reduz ainda mais os riscos de acidentes graves incontornáveis.

O anestesiologista deve observar o paciente até que todos os efeitos relacionados com a anestesia administrada tenham sido revertidos. Para isto, há um setor especial onde a maioria dos pacientes permanece após a anestesia e a cirurgia – a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Nela, o paciente será observado de maneira contínua por anestesiologistas e enfermagem.

De forma alguma! A Sala de Recuperação pós-anestésica permite que o paciente tenha sua pressão arterial, freqüência cardíaca, respiração e nível de consciência observados em intervalos regulares. O tempo em que o paciente fica na SRPA tem por finalidade observar a sua recuperação enquanto ainda a resíduos de drogas anestésicas atuando em seu organismo. Desta forma, é traçado um esquema eficaz para o combate a qualquer dor no pós-operatório. Na SRPA o paciente vai ficar até o médico verificar um quadro de total estabilidade de sua circulação, respiração, nível de consciência e regressão da anestesia.

Alguns pacientes, considerados graves ou submetidos a cirurgias complexas, podem passar pela SRPA e ser encaminhados para os Centros de Tratamento Intensivo – CTI. O anestesiologista levará o paciente até o CTI onde uma equipe médica fará seu acompanhamento.

No caso de pós-operatório de pacientes submetidos a cirurgias ou procedimentos ambulatoriais, o paciente tem alta hospitalar com segurança, após permanecer na SRPA por um período de observação. O paciente e seu acompanhante são instruídos em relação a sinais e sintomas que podem ocorrer no pós-operatório.

A indicação da realização de procedimentos ambulatoriais tem normas próprias, por isso, nem todas as operações podem ser programadas desta maneira. Após a alta hospitalar, não deixe de consultar seu anestesiologista sobre quaisquer dúvidas e ocorrências no seu pós-operatório e no período de recuperação. O anestesiologista sempre estará disposto a esclarecer suas dúvidas.

Se precisar, não deixe de procurá-lo!

O que você vai sentir após a anestesia depende muito da operação, do tipo de anestesia, de suas condições físicas, dos remédios que você está tomando ou tomou, enfim de múltiplos fatores. Graças às técnicas de anestesia modernas, apenas um número muito pequeno de pacientes chega a se sentir mal. O que deverá ser ressaltado é que você, provavelmente, não sentirá nada nem se lembrará de nada. O anestesiologista zelará para que, dentro do possível, seu melhor conforto seja assegurado.

CUIDADO: Não abra mão da presença constante do anestesiologista ao seu lado, até o pronto restabelecimento de suas funções fisiológicas.

ATENÇÃO: Seja amigo de seu médico anestesiologista. Ele está sempre preocupado com o sucesso de seu tratamento de saúde.

LEMBRE-SE: Nenhum ser humano nasceu para sentir dor. O Anestesiologista sabe como evitá-la. Confie nele.

Sociedade Brasileira de Anestesiologia

www.sba.com.br